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Pierre Lévy: Web 2.0 não é inovação

27 de outubro de 2009 0 comentários

blog-inedita-2Nada abala o optimismo de Pierre Lévy com a Internet. Um dos principais teóricos da revolução digital, filósofo da informação e professor de comunicação na Universidade de Ottawa (Canadá), Lévy acha que a grande questão colocada hoje à rede é apenas aumentar as informações disponíveis, o que é o objecto de sua linha de estudo actual.

Lévy foi quem propôs o conceito de “inteligência colectiva” no começo dos anos 90, quando a Internet comercial ainda engatinhava. Hoje, “sem falsa modéstia”, diz que o seu conceito virou um padrão.

Ao contrário do que muitos poderiam esperar, Lévy não acha que a web 2.0 ou web participativa, um dos principais focos de discussão actual sobre a rede, seja uma novidade.

“A web 2.0 significa apenas que há muito mais gente a apropriar-se da tecnologia da Internet, o que a torna um fenômeno social de massas. Significa que já não é necessário recorrer a intermediários ou técnicos. Do ponto vista de conceito de base, não há uma grande diferença em relação à Internet original”, disse Lévy.

O autor de As Tecnologias da Inteligência, Cibercultura e A Inteligência Coletiva não se preocupa com pensadores que são cépticos ou prudentes em relação aos riscos da rede, como o francês Paul Virilio . Só para citar algumas discussões que não o preocupam: várias bibliotecas europeias resistem ao avanço da digitalização, temendo o poder excessivo das companhias que deteriam os seus acervos (Google e Microsoft, essencialmente); a proliferação de blogues ameaça empresas de comunicação que investem na qualidade da informação; direitos de autor são cada vez mais ameaçados, etc.

Sobre esse último exemplo, Lévy solta uma gargalhada ao ser lembrado do caso recente da fuga para a rede da última edição da saga Harry Potter. “A ameaça aos direitos de autor é um problema por um lado, mas é bom por outro. Não sou desses que são contra o direito de autor. Sou a favor, mas o objectivo final deve ser a criação. O direito de autor é um meio, não devemos confundir um com outro”, diz.

Second Life

E o Second Life , o novo fenômeno da Internet? “Não sei por que todos estão interessados no Second Life. Do ponto de vista conceitual, não traz absolutamente nada de novo. A única vantagem é permitir a um maior número de pessoas interagirem, então passa a ser um fenômeno social. Talvez [o sucesso] ocorra porque ele reproduz a vida real.”


Mesmo conhecendo bem o Brasil, o pensador de origem tunisina também não se impressiona com o sucesso das redes de relacionamento, como o Orkut, mais no Brasil que em outros países. “Não tenho detalhes sobre o sucesso do Orkut no Brasil, mas acho que essas comunidades representam um capital social muito importante. Isso desenvolve-se como a urbanização”, diz.

Para Lévy, a novidade na rede hoje está noutras áreas: “Onde pode haver uma evolução no processo colaborativo é nos jogos on-line. Mas, como eles acabam por ser praticados por fanáticos em jogos, os jornalistas prestam menos atenção. Eles são um fenômeno mais importante do que o Second Life”, afirma.

O cientista diz que o fenômeno de inteligência coletiva continua a evoluir, e não só pela cultura dos jogos. “Também se desenvolve pela criação de programas de código aberto, pelo desenvolvimento da memória coletiva através de obras em domínio público, como o Creative Commons”, diz.

Para o criador de conceitos como tecnodemocracia e cosmopédia, “isso é apenas o começo de algo muito mais importante que vai desenvolver-se, que envolve a inteligência individual preparada para ser potencializada pela inteligência coletiva”.

Esse “algo mais” é o IEML (Information Economy Meta Language), um projeto ambicioso que Lévy coordena, envolvendo também pesquisadores brasileiros, para o desenvolvimento de uma linguagem que poderia expandir a rede.

Levy lembra que os portais de busca (como Google e Yahoo) têm no máximo 20% das informações da rede. “Essa nova linguagem permitirá indexações na Internet, um acesso maior ao conteúdo que existe hoje na Internet. Estou a acabar a gramática agora”, diz. “Não é uma linguagem para ser utilizada pelo grande público e vai demorar algum tempo para tornar-se linguagem comum”, afirma.

Fonte: seprorgs



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